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Estudo realizado pela Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX-Brasil) aponta o setor brasileiro de alimentos para animais de companhia como um dos segmentos com maior potencial de exportação para a África do Sul. O país africano é um dos mercados-alvo do Projeto Pet Products Brasil, uma parceria entre a Associação dos Fabricantes de Alimentos para Animais de Estimação (Anfal Pet) e a APEX-Brasil, que visa fomentar exportações brasileiras de alimentos, acessórios e medicamentos pet.

Misty: segurança de guia, amizade de cão

13/07/2006 - 17h54min



O Labrador, raça de origem canadense, com habilidades para caça, busca e resgate, hoje está popularizado como um dos animais preferidos para acompanhar pessoas deficientes visuais. Sua docilidade e lealdade sobressaem ao grande porte físico e características robustas, tornando-o um companheiro fiel e carinhoso.

A pedagoga Olga Solange Herval de Souza, usuária de cão-guia há quase dois anos, trocou a bengala pelos serviços de Misty, uma cadela Labrador de três anos trazida dos Estados Unidos especialmente para a tarefa. “É muito gratificante, porque ela me dá muito mais autonomia do que caminhar com uma bengala, e tem toda a questão da troca de afetividade, da companhia. Eu particularmente gosto muito de cachorro”, descreve.

A decisão de usar um cão como guia surgiu em 2002 e foi amadurecida após conversas com outros usuários. Olga escreveu para a ONG Guide Dog Foundation for the Blind, em Smithtown, Nova Iorque, nos Estados Unidos, uma das tantas escolas de cães-guia norte-americanas, solicitando informações para que pudesse se candidatar à posse do animal. Encaminhou uma série de documentos exigidos pela escola, através dos quais foi avaliada a fim de ser selecionado um cão que pudesse se ajustar ao seu perfil. A espera pela chamada se prolongou durante dois anos.

O adestramento do cão

As raças mais utilizadas pela ONG são o Labrador e o Pastor Alemão. O adestramento começa no terceiro mês de vida, quando o filhote é enviado a uma família voluntária para o processo de socialização, onde fica por cerca de cinco meses recebendo monitoramento de instrutores. A alimentação e o tratamento são custeados pela escola. Com cerca de sete meses começa o treinamento intenso e específico com o instrutor, que dura em torno de um ano.

Daí, o animal está pronto para ser apresentado a um deficiente visual para então iniciar a convivência. Este processo é realizado na própria sede da escola. Os cães ficam no canil, separado da casa por um jardim, até serem entregues aos respectivos usuários, quando então passam a ocupar o mesmo quarto.

O treinamento do usuário

Em um primeiro momento o candidato é reavaliado, a fim de que se comprovem os dados informados anteriormente, e apresentado à casa. Apenas no segundo dia é que se inicia o contato com o cão. “Aí se aprende a conhecer o cachorro, a cuidá-lo, alimentá-lo, tudo com aulas, em um ritmo aceleradíssimo”, relata Olga.

Depois de 25 dias, Olga e Misty foram consideradas aptas a trabalhar juntas. O passo seguinte foi a viagem de volta ao Brasil, que durou cerca de nove horas.

Nos Estados Unidos, as duplas recebem acompanhamento na primeira semana depois da formatura, ou seja, um instrutor está presente na chegada à residência do usuário e ao local de trabalho. Olga, por viver muito longe da escola, não participou desta etapa.

O usuário é avaliado de dois em dois meses ou sempre que necessita. Olga teve sua primeira avaliação no inverno passado, cerca de seis meses depois de voltar, por um representante da ONG no Brasil.

No programa norte-americano, além das famílias voluntárias para fazer a socialização dos filhotes, existe previsão de famílias para ficar com os cães aposentados ou que tiverem seu trabalho interrompido por algum motivo, caso o usuário não tenha a possibilidade de mantê-los em casa junto com o seu substituto. A aposentadoria de um cão-guia se dá ao redor dos 10 anos de idade.

As famílias de acolhimento têm o mesmo direito que os usuários de freqüentar lugares públicos com o animal. Para isso, também andam com placas indicando que o cachorro está em aprendizagem.

Envolvimento

O comprometimento de Olga com o tema vai além de sua relação cotidiana com Misty. Mestre e doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), participa pela Internet de um grupo de discussões sobre cães-guia com mais de 100 pessoas espalhadas pelo mundo, onde, usuários como ela, familiares de usuários, treinadores, famílias hospedeiras e simpatizantes em geral trocam informações sobre o assunto.

O dia-a-dia

“Tudo é uma adaptação. Nada é perfeito. Em primeiro lugar ela é um animal, não é um robô. Então tudo é uma questão de ajustamento. Ela tem o temperamento dela, eu tenho o meu temperamento. De vez em quando há que se fazer um ajuste”, comenta Olga.

O reforço do treinamento é essencial para manter o que o cão aprendeu. “A base do treinamento é assim: todos os dias tem que se reforçar a obediência, condicionando o cão”, ressalta.

“Nossa relação está sendo construída dia-a-dia. Eu me sinto mais segura com ela do que com outra pessoa, disso não tenho a menor dúvida. Eu estou aprendendo a conhecê-la bem mais, e ela também está me conhecendo. De vez em quando ela me testa, e eu a testo, e assim a gente vai indo”, conclui.

Foto e texto de Rafael Sirangelo Eccel


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